Santiago Perdigão, um aluno inspirador para a nossa comunidade escolar
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SONHOS E ANSEIOS
O equilíbrio entre os deveres académicos e gostos distintos como a música, o desporto e a escrita é um motivo inspirador para a comunidade discente, numa linha orientadora que transfere o foco dos resultados para os caminhos percorridos até à sua consecução. Santiago Ganso Perdigão, aluno do 12º ano do curso de Ciências e Tecnologias da ESPAMOL, fazendo jus ao nome, assenta ideias vincadas e, entre forças e fraquezas, fá-las voar, não deixando de questionar algumas certezas...
Definição de prioridades
Santiago sempre gostou de ter todas as atividades devidamente escalonadas e o tempo gerido de forma organizada. “Antes tinha tudo muito agrupado e o tempo muito bem preenchido… Não gostava de ter espaços vazios no calendário. A natação, com treinos às seis da manhã e ainda treinos à tarde, ajudou-me muito na parte de conciliar as coisas. Mas já retirei a pressão, com menos preocupação nos resultados, porque a prioridade vai para os estudos. Neste momento dou mais importância à escola, seguindo-se a escrita, a música e finalmente o desporto. As prioridades são definidas, consoante o amor e o prazer que tenho às coisas. Neste momento, gosto muito de ler, de escrever, de pensar na poesia do mundo… Tinha ainda o desenho (andei na escola de artes, uma vez por semana…) que acabei por deixar, pois tinha o horário sobrecarregado e tive de decidir…” Santiago, com interesses em áreas muito diversificadas, sempre gostou de experienciar, mas tem vindo a aprender a priorizar-se, enquanto indivíduo… “Antes queria fazer tudo e também ter todo o tempo ocupado. Agora já não vejo assim, pois tendo mais tempo livre, posso aproveitá-lo para pensar, para escrever e também para os estudos.” Quantas mais situações vivenciadas, mais janelas se abrem, novas ideias surgem… “Aos poucos, fui percebendo isso. Quanto mais tempo tenho para estar comigo e para entender as coisas, mais me dedico à escrita e tudo sai melhor.”
A disciplina do desporto e as exigências da escola
“A natação deu-me disciplina e ajudou-me imenso a gerir o meu dia-a-dia. Trouxe-me benefícios no estudo, aproveitamento dos momentos em família, na música… Aprendi a respeitar muito mais essa parte do tempo, organizadamente, para conseguir conciliar tudo. Sobre a escolha da modalidade, ficou a dever-se à minha mãe que, preocupada comigo, queria que eu aprendesse a nadar bem cedo…”
Os momentos menos positivos
Numa comparação entre o passado e o presente, Santiago sente que agora consegue lidar muito melhor com os momentos menos bons que considera importantes. “Fazem-nos crescer e aprender, pois o erro é essencial na aprendizagem… Têm sido úteis, porque quando erro é, paradoxalmente, quando mais aprendo a não repetir o erro, apesar de no momento ser desolador, pensando até que não há volta a dar, mas o tempo mostra-nos que é errando que conseguimos ultrapassar outras barreiras e continuar.” Também por influência das notas no 3º Ciclo, houve uma altura (10º ano) em que queria seguir neurologia, quando chegasse à faculdade, mas após o primeiro teste de Físico-Química, mudou de ideias… “Deitou-me abaixo… demoveu-me da ideia! Ao longo do secundário cheguei a querer mudar de curso… Pensei: vou seguir música, jazz, mas faltavam-me as bases mais estruturadas (não andei no conservatório…) para progredir e ser bom no futuro… Finalmente, percebi que teria de fazer alguma coisa que me fizesse sentir feliz (entendi que não me via a fazer música como algo principal). Troquei de ideias e o meu objetivo está no curso de Línguas, Literaturas e Culturas, que tenciono fazer na Universidade Nova de Lisboa.”
A influência do lado artístico na forma de ver o mundo e a escola
Sendo um aluno elogiado em que as pessoas gostam daquilo que faz, da forma como se apresenta na escola, expressando a sua opinião, Santiago considera que esses momentos têm, de certa forma, moldado a sua mente… “No 9º ano, era aquele aluno excelente, de nível cinco a todas as disciplinas e achava que tinha de ir para um curso de “inteligentes”… E no curso que frequento, muito mais virado para o lado racional e científico, consigo ver as coisas “bonitas”... Tenho-me tornado uma pessoa mais compreensiva e, por muito que me elogiem, isso não me faz subir as expectativas… Não é por aí, eu já escrevia e ia aos concursos literários e era premiado.” Sobre o mundo que o rodeia, diz que consegue sempre pegar num assunto e discutir com os seus colegas e uma coisa que gosta muito de fazer, mesmo naquelas em que acredita, é ser crítico. “Mesmo algo que esteja na minha cabeça e seja totalmente verdade, não consumo de imediato, porque muitas vezes temos dissonâncias e eu vejo o mundo nesse espectro de constantes falsas convicções e constantes verdadeiras hesitações. Temos de estar sempre a questionar e a pôr em causa mesmo as coisas que achamos serem verdadeiras.”
Motivação na escrita e na música
Na escrita, Santiago diz que a morte e imortalidade, o existencialismo e a vida, são temas que gostaria mesmo de desbravar, para além do amor, o tema mais badalado da escrita. Gosta de escrever e de chamar a atenção para aquilo que está menos bem… “Antes escrevia muito para mim e a escrita tem de ser assertiva para nós e para os outros. Percebi que, por muito que esteja a falar comigo, os outros vão estar a ouvir. Antes era para me sentir bem comigo. Hoje levo as coisas mais a sério porque quero seguir a escrita como foco principal. Quero ser escritor.” A elucidar ainda sobre a importância da escrita e o modo como se envolve nela… “Eu procuro pessoas tal como o meu coração procura corações. Não é que seja pessoa, ou melhor, mais pessoa que os outros. Também mordo no isco e sou devorado até ao osso. Também ladro por desgosto. Também me atiro do poço. Também sou e serei moço, como qualquer pessoa com gosto, pés e rosto." E tendo consciência de que pode ser algo que não resulte de imediato ou que possa ser suficiente, tenciona ser professor universitário. Para além da escrita, na música gostaria de criar um projeto, talvez ter uma banda, ser compositor e letrista.
Poesia, uma janela aberta
“Eu ligo sempre a poesia à parte sentimental, uma parte de mim... Essa parte é sempre aquela que recorro, para escrever sobre algo que me esteja a apoquentar… A minha maneira de agir passa por escrever sobre isso, sobre as dificuldades e problemas. Sempre que escrevo, sobre alguém ou sobre algo, tenho como que uma regra que sigo e que passa por falar com essa pessoa sobre o que escrevi e sobre o que pode advir daí, sobre conselhos…” Para Santiago, preocupado com o mundo que gira à sua volta, o bem-estar dos outros é a continuação do seu bem-estar… “É mostrar que, enquanto ser humano, reconheço os problemas, mostrando a minha disponibilidade…”
Momentos de partilha com os colegas
Na escola, Santiago sente-se uma pessoa diferente, na forma como vive o ambiente escolar, como trata os outros e está com eles. “Com os meus colegas, sinto que quando partilhamos momentos, quando estou com eles, sou mais eles, sou da sua “laia”, faço parte do seu grupo… Consigo estar nas brincadeiras comuns, dizer parvoíces e também, por outro lado, ter conversas sérias e isso, acho muito importante. Sinto-me tanto elemento como estrangeiro por conseguir ser um membro e ser parte do meu grupo de amigos, integrante da escola e no desporto, e tanto a ver as coisas por cima, como que fora da equação” E aos amigos, em jeito de aconselhamento, destaca… "Caminhem de costas, com os olhos da nuca atentos, e deixem que a dúvida aconteça como a vossa nova forma de saber. O equilíbrio é o limite."
Momentos marcantes no percurso escolar
São vários os momentos, dos quais guarda boas memórias, entre eles, os concursos literários em que participou e diversas apresentações que fez... “Por exemplo, pegar num assunto sério e fazer do mesmo algo engraçado, para que os outros consigam perceber melhor o enredo… Também assenta muito na ideia de eu querer ser professor e de ser capaz de ensinar os conteúdos, tornando-os interessantes para mais facilmente os alunos aprenderem. Mostrar também porque que gosto de escrever, de ler e porque é que a leitura e a escrita são interessantes…” Nas escolas que frequentou, João Cónim em Estômbar, onde se sentia muito protegido, como que em casa, mas também um pouco fora do sítio, pois achava que os colegas não tinham grande maturidade… “É uma escola que irei sempre recordar com carinho e também a ESPAMOL, em que guardarei as melhores recordações, pelos momentos vividos, experiências, pelos professores que tive, os meus colegas… Recordarei as atividades da UAARE, como as Galas, em que participei e apresentei trabalhos, bem como as saídas proporcionadas...”
Sensibilidades e princípios
“Nunca irei abdicar de ser crítico e de estar a lutar sempre pelo melhor, não só para mim, como também para os que me circundam. Tento sensibilizar sobre o modo como consomem o tempo e sobre o uso excessivo do telemóvel, que nos faz procrastinar, no sentido de conseguirem interpretar as coisas e de serem críticos, não ao ponto de duvidarem de tudo, mas de forma a lidarem melhor com tudo… Não consumirem de imediato… Saberem ler nas entrelinhas... Acho que isso é importante, pois de outra forma, não se consegue evoluir em cada fase da vida e de fazer as melhores escolhas…“
Sobre o seu futuro
Para ser feliz, Santiago considera essencial que a escrita preencha a sua vida e que as pessoas gostem realmente daquilo que escreve, tendo a possibilidade de conciliar os seus gostos… “No desporto, gostaria de continuar a praticar e mesmo que vá largar a natação (não desisto dela, nada se larga para sempre…), a mesma continuará na minha vida. Na música, gostaria de ter uma banda ou uma carreira a solo, conjugando com a escrita, com bons textos e, também, ser professor universitário na área da literatura contemporânea, fragmentação da escrita e dominar a obra de José Luís Peixoto, um escritor que muito me inspira” Para completar os seus momentos de felicidade, a juntar aos seus passatempos (leitura, escrita, tocar guitarra e piano, desenho...), é poder estar em casa com a família (pais e irmã) e saborear cada momento do seu dia-a-dia, em perfeita comunhão.
José Inácio Sequeira
Equipa de Comunicação
